Foi nesse ultimo fim de semana que percebi envelhecer. E nós jovens estamos envelhecendo rápido. Foi um esquecimento que me assustou. Não, não foi um esquecimento qualquer, uma confusão a toa de quem anda sempre apressado. Contei da minha infância e confundi... Confundi a única babá que eu tive. Disse que foi babá da minha irmã que é 6 anos mais velha. Foi a sensação de não lembrar mais do nome de um avô ou tia. Foi a sensação de que estou ficando caquética. Me senti como minha avó que aos 80 e poucos anos ainda dizia guardar sapatos novos para o baile quando por meses nem mais de casa saía. Estamos envelhecendo. Estamos queimando neurônios ao invés de criar novas conexões no cérebro. Outro dia tirei minutos pra observar as minhas mãos, o meu corpo ... E o que eu fiz comigo? Envelheci precocemente todas as minhas células, a minha circunferencia abdominal, meu rosto e meu sorriso. Envelheci meus gostos quando aposentei os saltos altos e as mini saias. Envelheci minha rotina quando parei de ver graça na pista lotada da danceteria. Envelheci quando priorizei a carreira e desenvolvi esse perfil pelos gestores chamado de 'trator'. Envelheci quando tomei gosto por homens bem mais velhos. Envelheci quando eu tinha 7 ou 9 anos e preferia estudar na bilbioteca ao inves de passear com a turma da escola. Envelheci quando ao invés de Backstreet Boys eu ouvia Família Lima. Envelheci quando decidi estudar mecânica e abondar o palco. Envelheci quando nasci. Mas nesse ultimo fim de semana sucumbi, comprei a bengala e as agulhes de crochê. Mas chegou a segunda feira, e eu tive que pingar duas gotas de brilho nos olhos, acordar cedo e renascer ... Eu tive que acordar como quem nasce e levar o dia como uma criança leva, simples como a vida deve ser ... Simples como pão com manteiga e café quente preparado pela velha avó.

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